Premiê israelense admite em discurso histórico a criação de um estado palestino, mas exige desmilitarização e mantém posição quanto aos assentamentos na Cisjordânia.
Binyamin Netanyahu disse concordar que palestinos tenham seu próprio hino, bandeira e governo, no entanto pede garantias que o Estado não possua armas ou controle de espaço aéreo e ainda pede que o Hamas seja vencido dentro da Palestina.
Porta-voz do governo de Mahumed Abbas disse que as palavras do premiê “sabotam” os esforços de paz entre as nações. Especialmente no que diz respeito à Cisjordânia e ao retorno dos palestinos refugiados ao território israelense.
O pronunciamento ocorre um mês após o presidente americano pedir uma solução para o conflito no Oriente Médio. Esse contexto indica clara intenção em não desapontar a nação que é a maior provedora de investimentos militares e econômicos do Estado Judeu. Um indício de que pode estar ocorrendo um “desvio” de intenções, já que fica claro que os palestinos não devem concordar com as exigências, especialmente na Faixa de Gaza controlada pelo Hamas.
No mesmo discurso Netanyahu diz que é importante que os palestinos de uma forma geral reconheçam o Estado Judeu legítimo, e diz que conversará com a comunidade árabe, em Beirute, Damasco e Riad. Também disse que eles não querem controlar o povo palestino, o que contradiz suas exigências.
Historicamente as fronteiras do Estado de Israel aumentaram em meio às guerras contra os árabes. Na Cisjordânia, os assentamentos ilegais controlam a água que territorialmente pertence à Palestina. Sem falar na capital Jerusalém, reivindicada pelas duas nações. Tais elementos colocam o inusitado e histórico discurso no mesmo patamar das outras tentativas de acordos, como Oslo e Wye River.
Em Abril na PUC, o professor José Arbex Junior disse em palestra que a solução para o conflito a curto e médio prazo não existe. No mesmo local o médico e ativista palestino Dr. Abdel Latif disse que o povo palestino não espera menos que a devolução total do território.
O passo foi importante, mas será preciso muito mais para a sonhada paz no Oriente Médio. Ahmadinejad continuará apontando lanças para Israel; Hezbolah e outros partidos fundamentalistas em ascensão devem continuar no encalço de Israel. Ou seja, o discurso ainda renderá muitas pautas, mas não deixa de ser mais do mesmo para o conflito histórico.
domingo, 14 de junho de 2009
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