Enquanto famílias choram a polícia só enxuga gelo e sangue nos morros cariocas
Estudo feito pela Subsecretaria de Estudos Econômicos do Governo do Estado do Rio para calcular a movimentação do tráfico de drogas descobriu que são consumidos no Estado 103 toneladas por ano. São R$ 320 milhões para manter o negócio e mais de 16 mil funcionários.
A organização utiliza 1,5 % da população favelada do Estado, no entanto os consumidores estão espalhados em todos os lugares e por todas as classes sociais. Esses consumidores são responsáveis pela cifra gigantesca que mantém o negócio. São viciados da classe média que incutem o vício para os amigos, formando uma roda crescente que adoece e muitos morrem levando uma vida anti-social.
O que é difícil entender é porque o tema é tratado como problema da justiça que consome muita verba e vidas e não como problema de saúde que atinge não somente o viciado, mas seus familiares também. A polícia não atira no viciado rico que sobe o morro, mas distribui balas perdidas entre os favelados que não têm opção de esconderijo. O imenso “bolo” é repartido também com eles, e assim ninguém tem interesse em acabar com o tráfico. Exceto a mãe do viciado e da vítima da bala perdida, que apesar de freqüente, ainda são minoria.
Quero estar vivo pra ver e noticiar a queda nesse consumo brutal através de programas de recuperação e conscientização da sociedade dos problemas e conseqüências do vício. Apesar de ainda utópico, o sonho de uma sociedade mais igualitária poderia amenizar a guerra burra do tráfico carioca, mas até lá muito sangue ainda vai rolar e muitas famílias perderão entes queridos.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Sociedade européia ainda tem muito a ensinar
A América do Sul carece de coragem que sobra aos cidadãos do velho continente
A Grécia viveu na última semana protestos violentos e coordenados em várias cidades por conta do assassinato de um jovem de 15 anos chamado Aléxis Grigoropoulos, morto pela polícia. Nem 10 dias depois cerca de vinte países aderiram aos protestos dos gregos expondo outras insatisfações com o governo e a falsa democracia que impera no ocidente.
A evolução da sociedade, não tão distante assim de nós, não se dá por sua tecnologia, mas principalmente pela capacidade de perceber os interesses escusos do governo. Saber que é importante estarem determinados e unidos para alcançar seus objetivos é que os diferencia de nós.
Por aqui a morte do garoto Hélio no Rio de Janeiro arrastado por bandidos preso pelo cinto de segurança, deveria despertar o interesse da sociedade em exigir o direito à segurança, reservado na sexagenária carta de Diretos Humanos da ONU. Vieram muitas outras atrocidades depois, inclusive a morte da menina Eloá, em São Paulo, vítima principalmente, de uma investida desastrosa tanto da imprensa quanto da polícia.
Não é fácil, porém, imaginar os países sul-americanos juntos por causas que infestam nossos cotidianos de tragédia, mas fato é que cabe uma pequena revolução por aqui, disso não há dúvidas. Ainda precisamos um pouco de coragem que sobram aos europeus para exigir direitos básicos, mas seria de uma ajuda infinita se alguém olhasse para o sul do hemisfério com menos compaixão e mais orgulho.
A Grécia viveu na última semana protestos violentos e coordenados em várias cidades por conta do assassinato de um jovem de 15 anos chamado Aléxis Grigoropoulos, morto pela polícia. Nem 10 dias depois cerca de vinte países aderiram aos protestos dos gregos expondo outras insatisfações com o governo e a falsa democracia que impera no ocidente.
A evolução da sociedade, não tão distante assim de nós, não se dá por sua tecnologia, mas principalmente pela capacidade de perceber os interesses escusos do governo. Saber que é importante estarem determinados e unidos para alcançar seus objetivos é que os diferencia de nós.
Por aqui a morte do garoto Hélio no Rio de Janeiro arrastado por bandidos preso pelo cinto de segurança, deveria despertar o interesse da sociedade em exigir o direito à segurança, reservado na sexagenária carta de Diretos Humanos da ONU. Vieram muitas outras atrocidades depois, inclusive a morte da menina Eloá, em São Paulo, vítima principalmente, de uma investida desastrosa tanto da imprensa quanto da polícia.
Não é fácil, porém, imaginar os países sul-americanos juntos por causas que infestam nossos cotidianos de tragédia, mas fato é que cabe uma pequena revolução por aqui, disso não há dúvidas. Ainda precisamos um pouco de coragem que sobram aos europeus para exigir direitos básicos, mas seria de uma ajuda infinita se alguém olhasse para o sul do hemisfério com menos compaixão e mais orgulho.
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