segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Salvem o Papai Noel


Não dá pra tirar o Papai Noel da história? Não bastasse toda a crueldade que só os tempos modernos são capazes de produzir, gritar aos quatro cantos da cidade que a publicitária Renata Guimarães foi atingida por tiros dados pelo famigerado bom velhinho é demais para mim. Imaginem então para uma criança.
Soma-se a isso a gravidade de o pai da moça, senhor Renato Archila, ter sido acusado de ser o mandante do crime; ter tido a colaboração do avô dela e o assassino ser um policial militar. Parece armação de Grinch.
Desde o início das reportagens sobre o caso, considerei que não dá pra tirar da história o fato de o assassino ter utilizado esse disfarce, mas daí a transformá-lo em manchete do Fantástico ultrapassa todo bom senso que o pior jornalismo sensacionalista pode produzir. “...Levou três tiros de Papai Noel”.
O bom senso costuma ser fulgaz quando o mercado e a concorrência ditam as regras. A notícia poderia ser dada sem o Papai Noel na manchete, mas a classe capitalista selvagem do jornalismo sabe que será lembrada pelo assassino fantasiado e não pela vítima sobrevivente.
Uma das testemunha identificou o bandido por ter visto ele tirando a roupa na calçada, essa poderia ser a parcela em que ele fosse citado.
Espero que as crianças ainda o aguardem no final de ano, se bem que por se tratar de crianças brasileiras, devem esquecer logo...

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